- Cooperativas Médicas cobram melhorias no Hospital de Trauma
26/02/2008 - 22:10
Médicos irão suspender atendimentos normais na próxima segunda-feira, caso não haja diálogo com gestores
Os presidentes de três cooperativas médicas da Paraíba reuniram-se ontem no início da tarde e decidiram atender apenas os casos mais graves e com risco iminente de morte no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, na próxima segunda-feira, caso os gestores públicos não tomem uma iniciativa de melhoria nas condições de trabalho da unidade de saúde. Os médicos denunciam que não há condições mínimas e segurança para realizar os procedimentos e que o hospital está sem condições de funcionar adequadamente, com a falta de medicamentos, equipamentos e até material de higiene, como sabão e papel toalha e lençóis para os pacientes.
"Faltam material, equipamento e pessoal para um atendimento básico aos pacientes. Infelizmente, não temos como trabalhar sem condições mínimas", afirmou Ronivaldo Barros, presidente da Cooperativa dos Anestesiologistas (Coopanest/PB). "Precisamos alertar à população sobre as péssimas condições do hospital. As autoridades já foram avisadas há muito tempo e não tomaram nenhuma providência", ressaltou Marcus Maia, presidente da Cooperativa de Cirurgiões da Paraíba (Coopecir/PB).
Segundo o presidente da Cooperativa dos Ortopedistas e Traumatologistas, Rômulo Castro, a direção do hospital e a Secretaria Estadual de Saúde não tomaram quaisquer providências para o melhoramento do hospital, mesmo após a entrega do "Dossiê da Saúde", em setembro do ano passado, no qual foram relatadas e mostradas imagens das péssimas condições do hospital de Trauma.
De acordo com os médicos, é comum faltar no hospital: sabão e papel toalha para os médicos lavarem as mãos, escova para assepsia das mãos antes das cirurgias, aparelho para verificar pressão arterial, estetoscópio, oxímetro, medicações anestésicas e pré-anestésicas e lençóis para as macas. Além disso, é insuficiente o número de camas para o repouso dos médicos e funcionários de plantão, por isso tem sido comum eles próprios levarem seus colchões para estenderem no chão. Das seis salas de cirurgia, apenas quatro estão em funcionamento. Não é feita manutenção periódica dos monitores cardíacos e respiratórios. Faltam técnicos de enfermagem para instrumentar as cirurgias de urgência e emergência.
"Além de tudo isso, há uma super lotação no hospital. A sala de recuperação pós anestésica comporta cinco pacientes. Há dias em que estão doze pacientes Há ainda pacientes tendo alta sem passar pela enfermaria, já que não há vagas", completa Ronivaldo Barros. Segundo os médicos, nos setores de urgência e emergência do hospital, as macas estão encostadas umas nas outras, comportando pacientes com doenças diversas e graves.
A decisão dos médicos de suspender o atendimento normal na próxima semana (atendendo apenas os casos mais críticos de urgência e emergência) foi tomada em conjunto com o intuito de alertar à população e aos gestores sobre o que vem acontecendo no hospital. Além disso, as cooperativas (cirurgiões, anestesiologistas e ortopedistas e traumatologistas) estão encaminhando ofício ao Conselho Regional de Medicina (CRM/PB) e ao Ministério Público, para que também tomem ciência da situação do hospital e da falta de condições mínimas de atendimento.
De acordo com o artigo 24 do Código de Ética Médica, "é direito do médico suspender suas atividades, individual ou coletivamente, quando a instituição pública ou privada para a qual trabalhe não oferecer condições mínimas para o exercício profissional". Por isso, os médicos preocupados com a população paraibana que procura este hospital, garantirão o atendimento com risco iminente de morte, com os recursos que são disponibilizados pelo hospital.
Má gestão e falta de compromisso
De acordo com os presidentes das cooperativas, o grande problema por qual o hospital vem passando é conseqüência de uma má gestão e da falta de compromisso do atual diretor, Jomar Paulo Neto, com a unidade hospitalar. "O diretor não recebe os médicos para que possamos falar de nossas reivindicações. Assim, fica mais difícil ainda administrar uma unidade de saúde tão grande e complexa", afirma Rômulo Soares.
O presidente da Coort ressalta que no dia 13 de fevereiro enviou correspondência à direção do hospital solicitando uma reunião para que fossem discutidas soluções para melhorias do hospital. O diretor do hospital se recusou em receber a correspondência. A mesma foi enviada via Correios e também não foi aceita. No dia 25 de fevereiro, o presidente da Coort narrou o fato ao presidente do CRM/PB, Dalvélio Madruga, solicitando uma inspeção no hospital. Na semana passada, a Coopanest também pediu ao CRM/PB uma vistoria no Trauma.