1. Médicos querem entregar o hospital de Trauma ao Governador

28/02/2008 - 22:14

 Os médicos prestadores de serviços do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena irão decidir em reunião, amanhã (29 de fevereiro) de manhã, como irão continuar trabalhando nessa unidade de saúde. Os médicos pretendem entregar o hospital ao Governador Cássio Cunha Lima, em função da falta de condições de atendimento aos pacientes. Eles já haviam decidido na última quarta-feira atender, a partir da próxima segunda-feira (3 de março), apenas os casos de urgência e emergência.
 Os presidentes das cooperativas de especialidades médicas (Anestesiologia, Cirurgia e Ortopedia e Traumatologia) estão denunciando desde o ano passado que não há condições mínimas e segurança para realizar os procedimentos e que, desta forma, o hospital não tem como funcionar adequadamente. Faltam medicamentos, equipamentos e até material de higiene, como sabão e papel toalha e lençóis para os pacientes.
 “Há uma grande insatisfação dos médicos. Infelizmente, não há como continuarmos trabalhando dessa forma”, ressalta o presidente da Cooperativa dos Anestesiologistas (Coopanest/PB), Ronivaldo Barros. “Queremos trabalhar, continuar prestando nossos serviços à população. Mas desta forma que está o Trauma, está muito difícil. Estamos sendo humilhados e não podendo atender à população dignamente”, completa o presidente da Cooperativa de Ortopedia e Traumatologia (Coort), Rômulo Soares.
“Precisamos alertar à população sobre as péssimas condições do hospital. As autoridades já foram avisadas há muito tempo e não tomaram nenhuma providência”, acrescentou o presidente da Cooperativa de Cirurgiões da Paraíba (Coopecir/PB), Marcus Maia.

“Maquiagem” no hospital
 Os médicos que prestam serviços no Trauma denunciam também que a direção do hospital vem fazendo uma espécie de “maquiagem” no hospital, como se quisessem mostrar uma imagem que não corresponde à realidade de quem conhece o hospital no dia-a-dia. “Desde que solicitamos a vistoria do Conselho Regional de Medicina que o diretor do hospital começou a colocar equipamentos no hospital. O pior é que são equipamentos velhos e não sabemos de onde estão vindo. Depois da vistoria, tudo volta ao caos normal de antes”, ressalta Ronivaldo Barros.
 Além disso, o presidente da Coopanest lembra que em abril do ano passado foram mostrados para os médicos respiradores para transporte de pacientes na UTI móvel, como se fossem adquiridos pelo hospital. Os médicos fizeram, inclusive, um treinamento para a utilização desse novo equipamento. No entanto, até hoje os médicos não tiveram acesso a esse material e não sabem se realmente foram adquiridos. “Veio uma técnica da empresa que vendeu o equipamento, fazer a demonstração e o treinamento. Isso tudo foi até registrado em foto. Depois, não utilizamos o equipamento. Queremos saber o que aconteceu”, completa Ronivaldo.

Faltam anestesistas
 Outro problema que o hospital de Trauma vem enfrentando é a falta de anestesistas. Desde janeiro, a Coopanest solicitou a contratação de mais anestesistas, já que dois destes profissionais foram deslocados para realizar a consulta pré-anestésica e o acompanhamento na recuperação pós-anestésica, uma exigência do Conselho Federal de Medicina, conforme a Resolução 1.802/2006.
Os pacientes que são internados no hospital de Traumas antes das cirurgias têm que passar por uma consulta pré-anestésica. Também é necessário que haja um anestesista na sala de recuperação após a cirurgia, no caso de haver alguma complicação com o paciente. Com o cumprimento dessas normas de segurança do ato cirúrgico, é estritamente necessário que sejam contratados mais anestesistas para que não seja preciso desmarcar cirurgias por falta de anestesistas.