1. Cooperativas médicas solicitam ao CRM interdição ética do hospital de Trauma

05/03/2008 - 18:04

Diretoria do hospital instala seis câmeras  no bloco cirúrgico, ferindo a privacidade dos pacientes

 

As cooperativas médicas de Anestesiologia, Cirurgia, Ortopedia e Traumatologia irão solicitar hoje ao Conselho Regional de Medicina (CRM/PB) a interdição ética do bloco cirúrgico do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. Foi instalado, esta semana, e começou a funcionar hoje (5 de março) um circuito interno de TV, no bloco cirúrgico. Ou seja, há seis câmeras filmando o local. As cooperativas estão analisando também a possibilidade de uma medida judicial para desativar o sistema.

“Além de não sabermos a verdadeira razão para essas câmeras, o que mais nos estranha é que a diretoria alega que faltam recursos para a aquisição de materiais elementares para o exercício da Medicina, mas há dinheiro para a instalação de um circuito de TV. Isso é, no mínimo, um desperdício de dinheiro público”, ressalta o presidente da Cooperativa dos Anestesiologistas da Paraíba (Coopanest/PB), Ronivaldo Barros.

“Estamos inconformados de como está sendo gerida a saúde do hospital de Trauma. É realmente um absurdo essa agressão à privacidade do paciente e esse gasto desnecessário de recursos”, acrescenta o presidente da Cooperativa dos Cirurgiões da Paraíba (Coopecir/PB), Marcus Maia.

A situação caótica do hospital de Trauma vem se agravando há meses. Mas nas últimas semanas, o atendimento à população tornou-se praticamente impossível, com a falta de materiais, medicamentos e equipamentos sucateados. Tem faltado material básico, como verificador de pressão arterial, estetoscópio, até material de higiene, como sabão, papel toalha e escova para assepsia das mãos dos cirurgiões antes dos procedimentos.

Desde a semana passada, os médicos começaram a denunciar o caos no hospital e anunciaram que só teriam condições de atender pacientes em casos eminente de morte. “O pior de tudo é que desde essas denúncias até hoje, o diretor do hospital ou o secretário de Saúde do Estado não fizeram nenhum contato com os médicos ou repuseram medicamentos e equipamentos do hospital. Pelo contrário, só deram justificativas desordenadas à imprensa, sem fundamento, o que não melhorou em nada as condições de atendimento médico à população”, completou Marcus Maia.