- Entidades médicas prestam queixa na delegacia contra declarações do diretor do Hospital de Trauma
06/03/2008 - 18:05
Médicos também vão solicitar ao CRM vistoria nos demais hospitais administrados pelo Estado As cooperativas de Anestesiologia, Cirurgia e Ortopedia e Traumatologia, o Sindicato dos Médicos e a Associação Médica da Paraíba irão amanhã (7) de manhã prestar queixa na 3ª delegacia de polícia contra as declarações do diretor do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, Jomar Paulo Neto. O diretor declarou ontem (5) à imprensa que há suspeitas que os médicos cooperados estão depredando os equipamentos propositadamente. “Vamos solicitar uma perícia dos equipamentos e o diretor terá que provar o que está insinuando”, ressaltou o presidente da Cooperativa dos Anestesiologistas (Coopanest/PB), Ronivaldo Barros. O presidente da Cooperativa dos Cirurgiões, Marcus Maia, classificou como leviana a acusação do diretor do hospital de Trauma. “Ele não pode falar um absurdo desse sem comprovar o que diz. O hospital está sucateado porque não há uma manutenção periódica dos equipamentos”, afirmou. Segundo Ronivaldo, não é apenas o hospital de Trauma que vem passando por dificuldades e está enfrentando uma situação caótica. Ele cita, por exemplo, o bloco cirúrgico do hospital Arlinda Marques que teve que ser fechado durante um dia na semana passada por estar contaminado por baratas. Hoje, a UTI desse mesmo hospital também teve de ser fechada porque em vez de estar saindo ar comprimido dos equipamentos, estava saindo água. Os pacientes tiveram que ser transferidos para outros hospitais. “Pelo interior e em outros hospitais onde não há contratos com cooperativas a situação é ainda mais grave. Hospitais de Guarabira, Cajazeiras, Patos e Sousa também estão com os equipamentos sucateados e sem condições de funcionar. Basta vermos os relatórios das fiscalizações do CRM feitas ano passado”, completou Ronivaldo. Por conta disso, as cooperativas querem que o Conselho Regional de Medicina (CRM/PB) também vistorie esses hospitais para que se constate a falta de condições de trabalho e de atendimento à população. “O diretor do hospital de Traumas e o secretário de Saúde estão querendo desviar o foco do problema. A saúde na Paraíba vai mal e os médicos são também vítima dessa situação”, acrescentou o presidente da Coopanest. Os médicos acreditam que essas declarações de Jomar Paulo Neto são fruto do desespero diante de uma situação incontrolável que se instalou no hospital. “Infelizmente, não há mais ambiente amigável de trabalho no hospital de Trauma, após essas declarações do diretor”, completou Ronivaldo.