1. Faltam profissionais para UTIs na Paraiba

21/08/2008 - 10:53

Correio da Paraíba
Alessandra Bernardo

 

O crescimento do número de pacientes internados em UTIs (Unidade de Terapia Intensiva) e a ampliação dos leitos ofertados pela rede pública na Paraíba está criando uma nova realidade nos hospitais ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado: a falta de profissionais especializados para a atividade e a sobrecarga dos já existentes. Segundo o presidente da Sociedade Paraibana de Medicina Intensiva (SPMI), Ciro Mendes, além das dificuldades enfrentadas pelos paraibanos em conseguir uma vaga para internação nos hospitais públicos, os pacientes têm se deparado com profissionais exaustos, que podem comprometer seus tratamentos. São apenas 62 especialistas na Paraíba, enquanto que há necessidade do dobro de profissionais na área.

\"Apesar das dificuldades em encontrar uma vaga num hospital, que é grande em qualquer lugar do País, os paraibanos ainda sofrem com a superlotação dos leitos e com o baixo número de profissionais especialistas em medicina intensiva. Temos hoje cerca de 50 médicos que atuam nas UTIs são plantonistas, ou seja, que deveriam trabalhar em escalas de 24h, mas a realidade é que muitos chegam a ficar até 48h, o que prejudica a saúde do profissional, que fica debilitado, com o poder de discernimento e percepção lentos, o que afeta também o seu rendimento no atendimento dos pacientes. Assim, situações que são facilmente detectados normalmente podem passar batido ou demorado se o médico estiver cansado ou exausto\", explicou Ciro.

Ele disse ainda que outro problema enfrentado nas UTIs da rede pública paraibana é a alta taxa de ocupação dos leitos, que chega a ser de 97% do total de vagas oferecidas. Principalmente se o hospital for referência estadual de algum tipo de tratamento. \"Somente no Hospital Universitário de João Pessoa, cuja UTI possui 12 vagas, a taxa de ocupação chega bem perto dos 100%, a maioria de pacientes vindos de outros hospitais públicos e de outros municípios, já que a Capital é ponto de referência para atendimento médico em quase todo o Estado. Por isso, a taxa de ocupação dos leitos daqui é tão grande\", explicou.

Dos 2.995 leitos hospitalares credenciados pelo SUS na Paraíba, 416 vagas são de UTIs, sendo 355 para adultos, 29 pediátricos e 32 neonatais, conforme dados do Ministério da Saúde. O número corresponde a 6,75% do total de leitos das unidades hospitalares da rede pública, um pouco acima do recomendado pelo Ministério e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 4%. \"É um número razoável de leitos nos hospitais do SUS, mas, o ideal é que pudéssemos aumentar esse dado pela metade, para poder cobrir o Estado com um pouco mais tranqüilidade\", falou.Ele disse também que existem hoje, no Estado, 62 profissionais (entre médicos, enfermeiros e fisioterapeutas) especialistas associados à Sociedade Paraibana de Medicina Intensiva, além dos plantonistas, mas que esse número ainda é muito baixo.

\"O ideal é que tivéssemos o dobro de profissionais e que eles fossem especialistas, para poder oferecer um atendimento mais completo. A Medicina Intensiva virou especialidade há uns cinco anos, mas o número de especialistas é baixo, principalmente porque é uma atividade que exige muito do profissional, muita dedicação, muito estudo e entrega, mas que a remuneração é baixa. Ou seja, é uma atividade estressante e mal paga, por isso, não desperta o interesse dos médicos. Por isso, a maioria dos que atuam são plantonistas\", explicou.